Algumas Reflexões

A polícia tem estado aparentemente activa para os lados da fanfarra. Foi inclusivamente possível assistirmos a uma intervenção de um pelotão descaracterizado, de “shotgun” em punho, na passada noite de sexta-feira. Fica por saber de quem se tratava – PSP,PJ, ASAE… – e quais os seus objectivos.

Importa, no entanto, chamar a atenção para alguns factores que considero poderem gorar este tipo de actividades.

Lamentavelmente, apenas se conseguiu chamar a atenção para o que se passa por estas bandas, graças à petição assinada pela quase totalidade dos moradores da zona, e pela visibilidade dada ao assunto pela comunicação social e, mais modestamente, por este blogue.

Após o início destas actividades, verificaram-se várias fases no comportamento das pessoas frequentadoras do antro. Primeiramente optaram por passar por este espaço, deixando atoardas e ameaças, passando depois ao silêncio, indubitavelmente estratégico.

E, a par deste silêncio, a atitude a que presentemente se assiste: a de um falso acatamento da razão de quem os não quer por aqui, mediante a imagem de “bem comportadinhos”.

Será claramente difícil a quem quer que por aqui passe por estes tempos compreender o que move as nossas reivindicações. Será também extremamente difícil às autoridades conseguirem apanhar alguém em flagrante delito de posse de droga, armas ou o que quer que seja, já que “o gato está escladado” e, assim, não irá decerto pôr-se debaixo de água fria.

De qualquer forma, urge pensar que, nem assim, a presença desta fanfarra é coisa racional. Bastará para tal olhar o atentado arquitectónico e ambiental que esta representa, ver o muito recentemente inaugurado parque infantil já parcialmente desmantelado, reparar com atenção a forma como se apropriam de um espaço que, em vez de público, se torna deles, tal o perigo que representa a sua frequentação por outrém que não do “clube”.

Mas importa sobretudo pensar o que potencia a presença de uma coisa destas num espaço que poderia ser mesmo agradável. Importa saber porque é que existe uma aparente necessidade de um refúgio para livre consumo de drogas e álcool, coisas que sabemos levar a casos extremos, como o da tragédia que recentemente se abateu sobre um dos memebros dessa associação. Importa, de resto, saber porque está uma população inteira completamente abandonada e “fora do mapa”, a não ser nas inaugurações, já que nem para camapanhas eleitorais servem, dado o escasso número de habitantes.

Passem por cá num Domingo e vejam os velhos sem mais para onde ir, as crianças sem terem onde brincar. Vejam os três únicos contentores de lixo repletos por dentro e por fora, e o cheiro nauseabundo que de lá vem. Vejam, por fim, o exército de desocupados, sem ter para onde ir, ocupa um espaço que poderia ser aproveitado para simplesmente infernizar a vida dos que cá tentam, a custo, viver.

Tudo isto graças à passividade da autarquia e junta de freguesia, que continuam a fazer orelhas surdas a tudo o que não se enquadre naas suas “grandes poções do plano”.

Até um dia.

Porque, sinceramente, estamos fartos.

2 Comments

  1. 1
    Morador do Coteiro Says:

    Este domingo encontrei na minha caixa do correio uma carta da parte da fanfarra, dirigida aos moradores do Lameiro/Alameda de S. João. Acho que deveria ser extensiva aos moradores da R. Conde Silva Monteiro, Trav. Conde Silva Monteiro, R. do Coteiro, Trav. Do Coteiro, Lavandeira e até Trav. Colégio do Sardão.
    Em vez de “ataque de alguns moradores”, estaria mais correcto, defesa dos direitos dos moradores. No abaixo-assinado foram 68, número que poderia ser muito maior se a recolha de assinaturas circulasse durante mais tempo. Se algumas pessoas se empenharam mais nesta luta pelos seus direitos, tiveram e têm por trás o apoio de praticamente todos os residentes. Se tiverem dúvidas façam o que já vos foi sugerido num comentário deste blog; comecem por perguntar a esses “alguns” moradores e verificam que são todos. Mas sobre este assunto não têm dúvida que assim é.
    Quanto às “alegadas situações de incómodo criadas,” bem, só podem estar a gozar connosco. Durante os meses de Julho, Agosto e Setembro, o ruído foi de tal ordem que representou um atentado à saúde pública. Todos os fins-de-semana a Polícia presenciou esta situação e pode até testemunha-lo. O Senhor Presidente da Junta foi mesmo convidado a passar pelo local e verificar a potência do barulho, isto mesmo depois das duas da manhã.

    Cumprimentos

  2. 2
    Rossi Says:

    A carta que me apareceu na caixa do correio este fim-de-semana, em nome da fanfarra e assinada pelo presidente da dita, foi com certeza escrita por alguém que nunca passou nas imediações da Alameda durante uma sessão de “kakaoke” e, portanto não sofreu na pele a tortura a que os moradores foram sujeitos nos últimos meses.
    O Regulamento Municipal sobre o ruído, publicado neste blog, é bem explícito sobre os níveis de ruído permitidos por lei, durante a semana e fins-de-semana. E podem os fanfarristas estar descansados que se respeitarem minimamente os níveis de ruído definidos pela lei, nenhum morador terá razão para se queixar. Toleramos e às vezes até apreciamos os ensaios normais da fanfarra que têm uma duração limitada, ainda que fora de horas.
    Quanto aos “anónimos ataques” são verdades que reflectem a opinião e convicção generalizada dos moradores, embora nem sempre seja fácil provar o que é afirmado.
    O anonimato não é sinónimo de cobardia, mas medo de represálias por parte de alguns elementos da associação fanfarrista que não conhecem as regras mais básicas da boa educação, o limite dos seus direitos e que de uma maneira dissimulada provocam e insultam quem não está de acordo com eles. Portanto o anonimato não é cobardia, já que as represálias são reais, e gato escaldado…
    Quanto ao bom nome das pessoas, este tem de reflectir, educação, saber viver em sociedade e respeito pelos direitos dos outros, atributos que a direcção da fanfarra mostrou não possuir. Com certeza a Polícia Judiciária terá muito mais que investigar se começar as investigações por alguns elementos da fanfarra.
    Portanto sr. presidente da fanfarra, compreensão dos moradores, tê-la-ão desde que cumpram as vossas obrigações, nomeadamente no que ao Regulamento Municipal sobre o Ruído diz respeito.
    Quero acrescentar que tenho na família pessoas que contribuíram monetariamente para a fundação da fanfarra e que agora eu também contribuirei da mesma forma para que ela saia daqui, já que, e só porque o vosso comportamento não nos permite viver com a qualidade de vida a que temos direito.
    Termino dizendo que por razões mais que óbvias não me identifico mas, assinei o abaixo-assinado.
    Espero não ter razões para escrever mais neste blog.


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