Numa breve visita a este blogue, vim a descobrir pelos dois últimos comentários que existe uma tal carta da Fanfarra da Alameda que foi distribuída nas caixas do correio dos moradores. Assim, lá fui vasculhar, tendo descoberto a referida carta no meio do entulho da publicidade não endereçada, local que vim a verificar ser o mais adequado para a arquivar. Desta forma, jaz a referida carta entre dois jornais “Dicas” e um folheto do Professor Mamadu, com prejuízo para os últimos.
A carta, com cabeçalho e timbre da Fanfarra, traz aposta assinatura ilegível do que presumimos ser alguém dessa “organização”. A escrita, algo rebuscada, não me parece mais eficaz na consecução dos seus objectivos, nem sequer do que me parece ser o principal de entre estes, o da intimidação encapotada e disfarçada por uma pretensa imagem de “bons meninos”, apanhados com a mão nas bolachas e afirmando a todo o custo “não fui eu!”, ou como os outros que fazem as maiores barbaridades por “ouvirem vozes”.
A luta da nossa parte é sobretudo ambiental. É pois, com algum pesar, que verificamos que a Fanfarra, em vez de arranjar um veículo informativo capaz – como os jornais, um blogue deles próprios, enfim, qualquer coisa que não polua e conspurque as caixas de correio dos moradores – , resolve gastar o nosso dinheiro – o dos que para ela contribuem nos peditórios e o dos contribuintes que pagam a sua discutível existência – na contratação de um aprendiz de amanuense. Mas mais não seria de esperar.
Pois informa-nos o senhor da assinatura ilegível que a Fanfarra «tem sido alvo de ataques de alguns moradores por alegadamente criar situações de incómodo devido ao ruído produzido». Existem, desde logo, inexactidões fruto de uma qualquer miopia:
- Não existe qualquer ataque. Existe, isso sim, uma luta por direitos elementares de cidadania, algo que não vou perder tempo a explicar.
- Essa luta nao é de alguns moradores. Contêmo-los, pois, e verificaremos serem os assinantes da petição a maioria dos moradores, em número de 68 almas. E mais seriam, se atempada fosse a colecta, conforme veremos nos comentários que abaixo reproduzo.
- As situações de incómodo não são alegadas. São factuais. Não fosse isso e não existiria petição.
Falam-nos de qualquer coisa relativa à legítima exposição às entidades públicas e ao ilegítimo e camuflado insulto através de um blogue, pondo em causa pessoas de forma gratuita. Também aqui se verificam algumas coisinhas dignas de apontamento – e não, não falo das deficiências gramaticais. Issso fica para depois.
- A legítima exposição às entidades públicas existe desde há muito, pelo meio de chamadas telefónicas, cartas, inserções em sites oficiais e, finalmente, por via de uma petição e de um blogue.
- Não existe insulto. E o que se escreve não é camuflado. Quem está camuflado – embora seja um adjectivo de utilização duvidosa – é o autor do blogue e os moradores que nele comentam. Por motivos óbvios. De resto, quanto ao insulto e a ataques, bastará dar uma volta pelas caixas de comentários para verificar de forma muito rápida quem ataca quem e quem insulta quem.
- A vossa reunião com a Junta de Freguesia peca por tardia. Mas, como diria o outro, “mais vale tarde do que nunca”.
- Por fim, quanto à intervenção da PJ em relação a este blogue, pois bem, acho correcto que lhes peçam auxílio. Resta saber, no entanto, em que quadro legal pode a PJ actuar. Mas é bonito saber que as palavras escritas causam mais mossa que um karaoke mal amanhado. Soubessem as pessoas da Fanfarra escrever, e não seria necessário nada disto, nem a contratação de um aprendiz de amanuense.
- O resto é o habitual blá-blá do bébe chorão. Nada de novo: “somos muito boas pessoas, estamos aqui há muitos anos, não queremos incomodar ninguém, apelamos à compreensão”, etc.
- É pena que tudo isso seja dito apenas depois de uma petição, de um blogue, de uma presença de um jornal diário, de diversas intervenções das autoridades e, sobretudo, após anos de sofrimento com o ambiente causado pela vossa presença. Diria o radialista ao Tibi que não adianta chorar. Nós dizêmo-lo a vocês.
Por isso, meus caros, congratulamo-nos, para já, de vos ver tão silenciosos. Para já. Que assim continueis.
Mas não quero monopolizar este “blogue cobarde” que tanta aflição vos provoca, pelo que passo a reproduzir os comentários deixados no post anterior, da autoria de mais dois “cobardes” moradores desta área:
Cumprimentos
4 Novembro, 2008Este domingo encontrei na minha caixa do correio uma carta da parte da fanfarra, dirigida aos moradores do Lameiro/Alameda de S. João. Acho que deveria ser extensiva aos moradores da R. Conde Silva Monteiro, Trav. Conde Silva Monteiro, R. do Coteiro, Trav. Do Coteiro, Lavandeira e até Trav. Colégio do Sardão.
Em vez de “ataque de alguns moradores”, estaria mais correcto, defesa dos direitos dos moradores. No abaixo-assinado foram 68, número que poderia ser muito maior se a recolha de assinaturas circulasse durante mais tempo. Se algumas pessoas se empenharam mais nesta luta pelos seus direitos, tiveram e têm por trás o apoio de praticamente todos os residentes. Se tiverem dúvidas façam o que já vos foi sugerido num comentário deste blog; comecem por perguntar a esses “alguns” moradores e verificam que são todos. Mas sobre este assunto não têm dúvida que assim é.
Quanto às “alegadas situações de incómodo criadas,” bem, só podem estar a gozar connosco. Durante os meses de Julho, Agosto e Setembro, o ruído foi de tal ordem que representou um atentado à saúde pública. Todos os fins-de-semana a Polícia presenciou esta situação e pode até testemunha-lo. O Senhor Presidente da Junta foi mesmo convidado a passar pelo local e verificar a potência do barulho, isto mesmo depois das duas da manhã.
4 Novembro, 2008A carta que me apareceu na caixa do correio este fim-de-semana, em nome da fanfarra e assinada pelo presidente da dita, foi com certeza escrita por alguém que nunca passou nas imediações da Alameda durante uma sessão de “kakaoke” e, portanto não sofreu na pele a tortura a que os moradores foram sujeitos nos últimos meses.
O Regulamento Municipal sobre o ruído, publicado neste blog, é bem explícito sobre os níveis de ruído permitidos por lei, durante a semana e fins-de-semana. E podem os fanfarristas estar descansados que se respeitarem minimamente os níveis de ruído definidos pela lei, nenhum morador terá razão para se queixar. Toleramos e às vezes até apreciamos os ensaios normais da fanfarra que têm uma duração limitada, ainda que fora de horas.
Quanto aos “anónimos ataques” são verdades que reflectem a opinião e convicção generalizada dos moradores, embora nem sempre seja fácil provar o que é afirmado.
O anonimato não é sinónimo de cobardia, mas medo de represálias por parte de alguns elementos da associação fanfarrista que não conhecem as regras mais básicas da boa educação, o limite dos seus direitos e que de uma maneira dissimulada provocam e insultam quem não está de acordo com eles. Portanto o anonimato não é cobardia, já que as represálias são reais, e gato escaldado…
Quanto ao bom nome das pessoas, este tem de reflectir, educação, saber viver em sociedade e respeito pelos direitos dos outros, atributos que a direcção da fanfarra mostrou não possuir. Com certeza a Polícia Judiciária terá muito mais que investigar se começar as investigações por alguns elementos da fanfarra.
Portanto sr. presidente da fanfarra, compreensão dos moradores, tê-la-ão desde que cumpram as vossas obrigações, nomeadamente no que ao Regulamento Municipal sobre o Ruído diz respeito.
Quero acrescentar que tenho na família pessoas que contribuíram monetariamente para a fundação da fanfarra e que agora eu também contribuirei da mesma forma para que ela saia daqui, já que, e só porque o vosso comportamento não nos permite viver com a qualidade de vida a que temos direito.
Termino dizendo que por razões mais que óbvias não me identifico mas, assinei o abaixo-assinado.
Espero não ter razões para escrever mais neste blog.